A regra das maçãs
Hora de rever aquela regrinha que ajuda a justificar essa
edição especial do Embrulhador. Se você tem cinco maçãs e precisa escolher as
três melhores, isso não quer dizer que as ‘finalistas’ sejam de boa qualidade.
Uma pode ser ótima e duas menos ruins que as outras duas. Quanto mais opções,
melhor será a seleção final. No sentido da “regra das maçãs”, selecionamos o
maior número possível de álbuns lançados por artistas brasileiros em 2012 para
compor a amostra. Exatamente 566 discos foram analisados durante o ano (149 a
mais que na edição de 2011). Pode até parecer muito, mas é o número adequado
para uma seleção final tão grande. Isso garante um nível ainda mais alto para
os 100 apontados como os melhores do ano.
Álbuns de todos os gêneros musicais e de todas as regiões do
país foram aceitos na amostra. Quanto aos formatos, tanto discos físicos como
álbuns distribuídos pela internet foram considerados. É importante ressaltar
também que apenas os trabalhos lançados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de
2012 foram incluídos. Os álbuns disponibilizados na internet antes desse
período não foram aceitos, mesmo nos casos em que o lançamento do disco físico
tenha ocorrido em 2012.
Não entraram na amostra: álbuns curtos (os EPs), singles,
mixtapes, coletâneas e gravações ao vivo. Há exceções, como, por exemplo, um EP
que contenha um número de faixas que o torne equivalente a um disco comum, mas
nenhum trabalho que se enquadre nesse caso foi selecionado entre os melhores do
ano. E no caso de “quem é brasileiro e quem não é”, também aceitamos na amostra
trabalhos assinados por artistas estrangeiros radicados no Brasil. O que
importa é a música ser brasileira.
O resultado da classificação
As cotações dos 100 melhores álbuns do ano variam entre 81 e 100 (apenas um disco atingiu a nota máxima). Exatamente 132 álbuns ganharam cotação entre 70 e 80, o que nos permite considerá-los de boa qualidade. Abaixo da cotação 70, temos 255 cotados entre 50 e 69 (regulares) e os demais 79 discos com cotação igual ou inferior a 49 (ruins). Confira o infográfico a seguir com alguns exemplos de álbuns que ficaram fora da lista principal.
As cotações dos 100 melhores álbuns do ano variam entre 81 e 100 (apenas um disco atingiu a nota máxima). Exatamente 132 álbuns ganharam cotação entre 70 e 80, o que nos permite considerá-los de boa qualidade. Abaixo da cotação 70, temos 255 cotados entre 50 e 69 (regulares) e os demais 79 discos com cotação igual ou inferior a 49 (ruins). Confira o infográfico a seguir com alguns exemplos de álbuns que ficaram fora da lista principal.
Conheça os 566 álbuns avaliados nesta edição.
MH = MENÇÃO HONROSA
MH = MENÇÃO HONROSA

1 Sua Decisão - Leo Cavalcanti
2 Carta de Amor - Maria Bethânia
3 Quando Eu Achar - Tulipa Ruiz
4 Pas De Deux - Thiago Pethit
5 Retrovisor - Céu
6 Tropicalea Jacta Est - Tom Zé
7 Jogos Madrugais - Lucas Santtana
8 Alteração (Éa!) - BNegão & Os Seletores de Frequência
9 Dois Tempos - Khrystal
10 66 - O Terno
11 2012 - Silva
12 Pavilhão de Espelhos - Roberta Sá
13 Miss Me - Grandphone Vancouver
14 Um Abraçaço - Caetano Veloso
15 Ariana - Siba
16 Tudo Esclarecido - Zélia Duncan
17 Acorda - Mão de Oito e Marcela Bellas
18 29 Beijos - Marcia Castro e Helio Flanders
19 Song For Tom - Marcelo Fruet & Os Cozinheiros
20 Tonificando - Holger
21 Aquele Quê - Nina Wirtti
22 Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte - Sexy Fi
23 Selvage - Curumin
24 Trabalhos Carnívoros - Gui Amabis
25 Jurití - Gustavito
26 Cretino - DuSouto
27 Sandau - Tereza
28 Milonga Para Los Perros - Projeto CCOMA
29 III.III.III.III.III.III - Radiola
30 Cambalhota - TiãoDuá
31 Manhãzinha - Kika
32 O amor é um som - Augusto Martins
33 Amor Inventado - Karina Zeviani
34 Insoniazinha - Letuce
35 Soldados do Sol - Tupiniquin
36 The Sad Facts - Cambriana
37 Come Debbie - Killer On The Dancefloor e Thiago Pethit
38 Sim - André Mehmari, Chico Pinheiro e Sérgio Santos
39 Maria - Urucum Na Cara
40 Princesa do Mar - Rodrigo Campos
41 A Rolinha e o Minhocão - Trupe Chá de Boldo
42 Tulipa Turca - Maurício Pessoa
43 Amém - Guido
44 Lindo Lago do Amor - Adriana Calcanhotto
45 Quinze Mil Dias - Lestics
46 Marcha da Preparação - A.B.R.A.
47 Champagne - Paraphernalia
48 São Jorge - Metá Metá
49 Será Bem-vindo Qualquer Sorriso - Bruna Caram
50 O Seu Tipo - Filarmônica de Pasárgada
51 Baião de Respeito (Baião Centenário) - Dona Zaíra
52 Velho Bandido - Paulo Neto
53 Bolero de Jardel - Circo Vivant
54 O Mais Clichê - Vivendo Do Ócio
55 Na Gaveta - Brunno Monteiro
56 Girassol - João Callado, Fernando Temporão e Tereza Cristina
57 Calma Aí, Coração - Zeca Baleiro
58 Cavaleiros da Ordem do Deserto - Os Sertões
59 No Ar - Orquestra Contemporânea de Olinda
60 Terra Em Trânsito - Caê Rolfsen
61 Frevo Te Liga - Musa Híbrida
62 Night Purpurina - Tatá Aeroplano
63 Nessa Mulher - Lemoskine
64 É Tarde - Laura Wrona
65 Tudo Que For Leve - Alice Caymmi
66 Samba de Amanhã - Camará
67 Sad Song - Madrid
68 Greve - Bazar Pamplona
69 Perto-Longe - Anna Ratto
70 Jardim de Inverno - Marina Wisnik
71 Garota - Aíla e Gaby Amarantos
72 Na Trilha do Amor - Simone Guimarães e Cristina Saraiva
73 Vive De Bandeira - Jeninpapo
74 Louco Desejo - Dona Onete
75 Um Chopin No Bach Ouvindo Forró - Chico Chagas
76 Roda - Lineker
77 Pra Desengomar - Moyseis Marques
78 Cut Myself in Two - Black Drawing Chalks
79 É Pouco - Seu Pereira e Coletivo 401
80 Miojo - Hidrocor e Lulina
81 Eu Vou Te Encontrar - Sonic Junior
82 Depois Do Fel - Novanguarda
83 No Mar - Laura Lopes
84 O Baile - Katia B e Jam da Silva
85 Summer Seeds - Macaco Bong
86 Pasargada - Regra 4
87 Aprendendo a Mentir - Selvagens à Procura da Lei
88 Kilo - Bonde do Rolê
89 N'aghadê - El Efecto
90 Samba Manco - Ze Manoel e Mavi Pugliesi
91 Cabelo de Fogo - Ska Maria Pastora
92 De Bobeira - Dudu Nicácio
93 Fado Nordestino - Joana Flor
94 Tutti-Fuditti - Rita Lee
95 Quebrupasso - Luiza Sales
96 Aqui Nunca Nasceram Heróis - Luneta Mágica
97 Batalha - Ba-Boom
98 Eu Queria Andar Por Dentro de Você - Luiz Gadelha
99 Deturpando Idéias - Rogê e Wilson das Neves
100 Voy a Tatuarme - Marina de La Riva
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ANÁLISE > O processo de seleção e os critérios de avaliação.
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Nós também queremos saber a sua opinião sobre a produção musical no Brasil em 2012. Preencha o formulário abaixo votando em até 10 álbuns que você ouviu e gostou. Em seguida, confira o resultado parcial com as escolhas já cadastradas pelos nossos leitores.
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BÔNUS > As 100 melhores músicas nacionais de 2012.


Pega na estrada
Céu segue novos caminhos e faz o melhor disco de 2012 na música brasileira
Já pensou em fugir com a Caravana Rolidei? No alto de sua inocência, Ciço se encanta pelo estilo de vida de três artistas mambembes e, sem pestanejar, decide: “Eu vou com eles”. Mesmo com sua mulher grávida do lado e sem tostão algum no bolso, o sanfoneiro segue numa aventura sob o comando do Lorde Cigano. O chefe da trupe é uma mistura de mágico bom de improviso, vidente poderoso e, quando a coisa aperta, cafetão. O brutamonte silencioso Andorinha consegue entortar barras de ferro, mas o show que mais atrai a atenção das pequenas platéias da Caravana Rolidei é o de Salomé, A Rainha da Rumba. Meio quilo de maquiagem e um castelhano inventado. Como descobriu Ciço, “ela também fala brasileiro”.
É certo que figuras tão curiosas protagonizem grandes feitos. Lorde Cigano consegue realizar o maior desejo de todos os brasileiros: ver neve. O cara faz nevar no sertão. “Parece coco ralado”, comenta Dasdô. E assim segue a Caravana Rolidei. Por fantasia, para aguçar a imaginação, pelo entretenimento, por uns trocados. Conquistar territórios inóspitos (“Será que Deus tá distraído ou não gosta do pessoal desse lugar?”), caçar as terríveis espinhas de peixe e explodir televisores patrocinados por prefeituras, correr atrás de uma esperança chamada Altamira. No meio do mato, com o nome de Copacabana estampado na camisa.
Todas as experiências vividas pelos personagens de ‘Bye Bye Brasil’, clássico de 1979 dirigido por Cacá Diegues, tem como cenário maior a estrada. O conceito de caravana, o clima mágico do filme, seus personagens, o Nordeste do Brasil e essa estrada inspiraram a cantora Céu na criação de seu terceiro disco. Um trabalho musical com cara de cinema, cheio de referências inteligentes, com um conceito muito bem definido. ‘Caravana Sereia Bloom’ foi feito na estrada, por quem vive nela e dela.
A cantora ousou muito nesse trabalho. A produção, a banda e as parcerias (sua caravana) já são de casa, mas a proposta é totalmente nova. Coisa de uma artista aventureira, que não tem medo de fazer seu público ter experiências sonoras diferentes, mesmo correndo riscos. Riscos que talvez fossem grandes para outras cantoras, mas que são mínimos para ela. De Alípio Martins a Eydie Gormé, de Nelson Cavaquinho a Nancy Sinatra, Céu se joga num mundo de referências e vê sua música ser transformada nos lugares por onde passa, por contos, causos, personagens. A transformação está nos pequenos detalhes - o som de uma estação de rádio mal sintonizada, um batom vermelho sendo roído pelo cimento - e nesse ar “brega” que toma conta de ‘Caravana Sereia Bloom’.
Céu pega música na estrada. Me apaixonei por ela em 2005. Fiquei ansioso ao extremo em 2009, mas ‘Vagarosa’ superou toda e qualquer expectativa. Naquela época, fascinado pelo segundo disco da cantora, pensei: “Vai ser difícil ela fazer algo melhor do que isso daqui pra frente”. Felizmente, engano meu. Céu volta a evoluir em 2012, me surpreende mais uma vez. Continuo seguindo as caravanas - a Rolidei e a Sereia Bloom. O segredo é aproveitar a viagem sem se preocupar com o destino.
Faixa a faixa: Caravana Sereia Bloom
1 - Falta de Ar
Quem foi que disse que o mundo tem que crescer? Para esse foguete que eu vou ficar por aqui mesmo, em Marte.
2 - Amor de Antigos
Música com gosto de saudade. “Vem comigo mundo afora, em qualquer lugar que eu ande”. Se você já passou dos 80 anos, deve querer se lembrar de um verdadeiro amor.
3 - Asfalto e Sal
Hora de viajar. Coloque na bagagem apenas o que você gosta. Pessoas, sentimentos, momentos. “Eu vou lhe conservar no sal, no sal do meu mar”.
4 - Retrovisor
A música que resume o disco. Você sai de uma desilusão amorosa e diz: “Não pense que isso vai ficar assim”. Como no clipe, filmado em película, o cenário de ‘Retrovisor’ é um boteco de beira de estrada. Céu e seu batom vermelho. A festa começou vigorosa, mas o dia clareou, a música evoluiu.
5 - Teju na Estrada
A primeira vinheta tem um tom de mistério, com vocais flutuantes, e remete a uma paisagem seca.
6 - Contravento
“O vento é um menino bulindo com gente”. A poeira que seca boca, fere zóio, rasga pele. ‘Contravento’ é um resumo da estrada e, por incrível que pareça, uma das faixas mais dançantes do disco.
7 - Palhaço
Tente convencer um palhaço aposentado a voltar ao palco. Numa regravação genial de uma relíquia da nossa música, Céu inclui elementos sonoros discretos, assovios, e o violão do pai, Edgard Poças. “Faça a plateia gargalhar. Um palhaço não deve chorar”.
8 - You Won’t Regret It
Também tem Caribe em ‘Caravana Sereia Bloom’. Esse cover do ska de Lloyd Robinson e Glen Brown é mais um exemplo de como Céu consegue transformar uma música apenas com sua originalidade no modo de cantar. É como se a melodia só esperasse por sua voz.
9 - Sereia
Céu achou nessa curta vinheta um belo modo de homenagear sua filha. “Quando dou banho na Rosa, canto essa música e ela canta junto”.
10 - Baile de Ilusão
Pranto, caderno de rabiscos, multidão, decibéis, serpentina, salão, um coração que quer se rebelar. Deliciosamente brega.
11 - Fffree
“There is a road inside of me”. Com pouco mais de um minute, ‘Fffree’ é uma das músicas mais intensas do álbum. Tem a cara de rascunho que Céu quis dar ao disco, com GarageBand, sem muitos adereços. Livre.
12 - Streets Bloom
Um presente incrível de Lucas Santtana. Encaixou perfeitamente na proposta do disco, na voz de Céu, nos instrumentos da caravana.
13 - Chegar em Mim
Perfume fala. Sempre malemolente, Céu aproveitou bem essa letra fantástica de Jorge Du Peixe e o resultado foi arrebatador. Música doce e ao mesmo tempo sensual, provocante. O que o perfume diz? “Se eu fosse você já tinha chegado em mim”.

Céu segue novos caminhos e faz o melhor disco de 2012 na música brasileira
Já pensou em fugir com a Caravana Rolidei? No alto de sua inocência, Ciço se encanta pelo estilo de vida de três artistas mambembes e, sem pestanejar, decide: “Eu vou com eles”. Mesmo com sua mulher grávida do lado e sem tostão algum no bolso, o sanfoneiro segue numa aventura sob o comando do Lorde Cigano. O chefe da trupe é uma mistura de mágico bom de improviso, vidente poderoso e, quando a coisa aperta, cafetão. O brutamonte silencioso Andorinha consegue entortar barras de ferro, mas o show que mais atrai a atenção das pequenas platéias da Caravana Rolidei é o de Salomé, A Rainha da Rumba. Meio quilo de maquiagem e um castelhano inventado. Como descobriu Ciço, “ela também fala brasileiro”.
É certo que figuras tão curiosas protagonizem grandes feitos. Lorde Cigano consegue realizar o maior desejo de todos os brasileiros: ver neve. O cara faz nevar no sertão. “Parece coco ralado”, comenta Dasdô. E assim segue a Caravana Rolidei. Por fantasia, para aguçar a imaginação, pelo entretenimento, por uns trocados. Conquistar territórios inóspitos (“Será que Deus tá distraído ou não gosta do pessoal desse lugar?”), caçar as terríveis espinhas de peixe e explodir televisores patrocinados por prefeituras, correr atrás de uma esperança chamada Altamira. No meio do mato, com o nome de Copacabana estampado na camisa.
Todas as experiências vividas pelos personagens de ‘Bye Bye Brasil’, clássico de 1979 dirigido por Cacá Diegues, tem como cenário maior a estrada. O conceito de caravana, o clima mágico do filme, seus personagens, o Nordeste do Brasil e essa estrada inspiraram a cantora Céu na criação de seu terceiro disco. Um trabalho musical com cara de cinema, cheio de referências inteligentes, com um conceito muito bem definido. ‘Caravana Sereia Bloom’ foi feito na estrada, por quem vive nela e dela.

A cantora ousou muito nesse trabalho. A produção, a banda e as parcerias (sua caravana) já são de casa, mas a proposta é totalmente nova. Coisa de uma artista aventureira, que não tem medo de fazer seu público ter experiências sonoras diferentes, mesmo correndo riscos. Riscos que talvez fossem grandes para outras cantoras, mas que são mínimos para ela. De Alípio Martins a Eydie Gormé, de Nelson Cavaquinho a Nancy Sinatra, Céu se joga num mundo de referências e vê sua música ser transformada nos lugares por onde passa, por contos, causos, personagens. A transformação está nos pequenos detalhes - o som de uma estação de rádio mal sintonizada, um batom vermelho sendo roído pelo cimento - e nesse ar “brega” que toma conta de ‘Caravana Sereia Bloom’.
Céu pega música na estrada. Me apaixonei por ela em 2005. Fiquei ansioso ao extremo em 2009, mas ‘Vagarosa’ superou toda e qualquer expectativa. Naquela época, fascinado pelo segundo disco da cantora, pensei: “Vai ser difícil ela fazer algo melhor do que isso daqui pra frente”. Felizmente, engano meu. Céu volta a evoluir em 2012, me surpreende mais uma vez. Continuo seguindo as caravanas - a Rolidei e a Sereia Bloom. O segredo é aproveitar a viagem sem se preocupar com o destino.

Faixa a faixa: Caravana Sereia Bloom
1 - Falta de Ar
Quem foi que disse que o mundo tem que crescer? Para esse foguete que eu vou ficar por aqui mesmo, em Marte.
2 - Amor de Antigos
Música com gosto de saudade. “Vem comigo mundo afora, em qualquer lugar que eu ande”. Se você já passou dos 80 anos, deve querer se lembrar de um verdadeiro amor.
3 - Asfalto e Sal
Hora de viajar. Coloque na bagagem apenas o que você gosta. Pessoas, sentimentos, momentos. “Eu vou lhe conservar no sal, no sal do meu mar”.
4 - Retrovisor
A música que resume o disco. Você sai de uma desilusão amorosa e diz: “Não pense que isso vai ficar assim”. Como no clipe, filmado em película, o cenário de ‘Retrovisor’ é um boteco de beira de estrada. Céu e seu batom vermelho. A festa começou vigorosa, mas o dia clareou, a música evoluiu.
5 - Teju na Estrada
A primeira vinheta tem um tom de mistério, com vocais flutuantes, e remete a uma paisagem seca.
6 - Contravento
“O vento é um menino bulindo com gente”. A poeira que seca boca, fere zóio, rasga pele. ‘Contravento’ é um resumo da estrada e, por incrível que pareça, uma das faixas mais dançantes do disco.
7 - Palhaço
Tente convencer um palhaço aposentado a voltar ao palco. Numa regravação genial de uma relíquia da nossa música, Céu inclui elementos sonoros discretos, assovios, e o violão do pai, Edgard Poças. “Faça a plateia gargalhar. Um palhaço não deve chorar”.
8 - You Won’t Regret It
Também tem Caribe em ‘Caravana Sereia Bloom’. Esse cover do ska de Lloyd Robinson e Glen Brown é mais um exemplo de como Céu consegue transformar uma música apenas com sua originalidade no modo de cantar. É como se a melodia só esperasse por sua voz.
9 - Sereia
Céu achou nessa curta vinheta um belo modo de homenagear sua filha. “Quando dou banho na Rosa, canto essa música e ela canta junto”.
10 - Baile de Ilusão
Pranto, caderno de rabiscos, multidão, decibéis, serpentina, salão, um coração que quer se rebelar. Deliciosamente brega.
11 - Fffree
“There is a road inside of me”. Com pouco mais de um minute, ‘Fffree’ é uma das músicas mais intensas do álbum. Tem a cara de rascunho que Céu quis dar ao disco, com GarageBand, sem muitos adereços. Livre.
12 - Streets Bloom
Um presente incrível de Lucas Santtana. Encaixou perfeitamente na proposta do disco, na voz de Céu, nos instrumentos da caravana.
13 - Chegar em Mim
Perfume fala. Sempre malemolente, Céu aproveitou bem essa letra fantástica de Jorge Du Peixe e o resultado foi arrebatador. Música doce e ao mesmo tempo sensual, provocante. O que o perfume diz? “Se eu fosse você já tinha chegado em mim”.

Veja também:
ANÁLISE > O processo de seleção e os critérios de avaliação.
RANKING > Infográfico de cotações com o resultado da classificação.
AMOSTRA COMPLETA > Conheça os 566 álbuns analisados neste ano.
SITES PARCEIROS > Links indispensáveis para quem curte música.
AS ESCOLHAS DO PÚBLICO > Vote nos seus álbuns favoritos.
SITES PARCEIROS > Links indispensáveis para quem curte música.
AS ESCOLHAS DO PÚBLICO > Vote nos seus álbuns favoritos.
BÔNUS > As 100 melhores músicas nacionais de 2012.


O que esperar de um gênio? Nada. Um gênio vai contra qualquer expectativa. Não adianta prever, cobrar promessas. Como um avô que leva o neto para passear, Tom Zé quer lhe contar histórias, aguçar sua imaginação, apresentar coisas novas até ver fumaça saindo dos seus ouvidos. A par do que sucede na famigerada nova MPB, convocou quatro ótimos artistas - Mallu Magalhães, Emicida, Rodrigo Amarante e Pélico - e trabalhou muito para criar ‘Tropicália Lixo Lógico’. É, não há preguiça no dicionário dele. Está louco como sempre. E mais do que nunca. Louco a ponto de confundir o técnico da gravadora, que reparou, na hora da fechar o disco, que a maioria das faixas terminava abruptamente, tinha ruídos estranhos, vozes, risadas, apitos, toque de celular... Tudo intencional. Tom Zé fez o Brasil rir, deixou 2012 mais divertido, grudou melodias, emocionou, derrubou queixos, fez olhos brilharem na platéia. Gênio.


Pensa que é fácil ser uma estrela? Pensa que vida de cantora é brisa fresca? Khrystal propõe uma troca de papéis com você, mas ela tem certeza de que, em dois tempos, vai ganhar a aposta. A cantora potiguar dá sua vida pela música. É o preço para se fazer arte do jeito que ela quer fazer. Vai encarar?
Influenciada pelo jazz, com um pé no blues, e ainda roqueira forte, ela sabe converter as referências de sua formação artística em qualidades para a música regional. É isso mesmo que você está pensando: vai ouvir forró e sentir rock. Neste segundo disco, Khrystal reúne ritmos altos com o que há de melhor na cultura nordestina, na vida real, na vida de cantora. Cantora e compositora. Sua poesia é belíssima, coisa de gente que consegue enxergar - e depois cantar - a beleza das coisas simples do cotidiano. Incrível também é perceber como ela consegue encaixar cada expressão em melodias bárbaras. A voz? Forte, com sotaque carregado, uma das mais originais da música brasileira atual.
Primeira faixa do disco, ‘Na Lama, Na Lapa’ é um grito de liberdade, já avisa que Khrystal canta o que quer. “Fui batizado na capela onde o padre, numa noite de pecado, se encontrou com um alguém”, dispara em ‘Arranha Céu’. Se você já apertou a campainha da vizinha e correu, vai gostar de ‘Bem ou Mal’. Não é por menos que ‘Dois Tempos’ deu título ao disco: “Mato meu leão todo dia pra não ver meu canto calado morrer”.
‘O Trem’ é um dos pontos altos do segundo trabalho em estúdio da cantora. É o romantismo de quem vive debaixo de sol quente: “Comida sem farinha é o mesmo que trepar sem beijar. (...) A vida a dois é feito rapadura: é doce, mas não é mole não”. A Khrystal mais forte do disco é a de ‘Zona Norte, Zona Sul’: “De que lado mora o seu preconceito? Atravesse a ponte que eu vou lhe mostrar”.
“Já me falaram desse tal de erudito, mas meu negócio é a cultura popular”, canta em ‘Potiguaras Guaranis’, uma combinação incrível de tudo o que forma o nordeste brasileiro. O disco fecha com a única canção que não é assinada por Khrystal. ‘Compositor’, de Joyce e Paulo César Pinheiro’, é uma homenagem nada trivial a quem (sobre)vive de música.
Fugir do óbvio, não ter vergonha de mostrar o lado mais sincero de sua voz, não ter vergonha de mostrar todos os seus lados enquanto artista. Khrystal é uma cantora alegre, uma compositora brava, uma artista popular que pode fazer a crítica cair aos seus pés. Potiguar, nordestina, brasileira.
Influenciada pelo jazz, com um pé no blues, e ainda roqueira forte, ela sabe converter as referências de sua formação artística em qualidades para a música regional. É isso mesmo que você está pensando: vai ouvir forró e sentir rock. Neste segundo disco, Khrystal reúne ritmos altos com o que há de melhor na cultura nordestina, na vida real, na vida de cantora. Cantora e compositora. Sua poesia é belíssima, coisa de gente que consegue enxergar - e depois cantar - a beleza das coisas simples do cotidiano. Incrível também é perceber como ela consegue encaixar cada expressão em melodias bárbaras. A voz? Forte, com sotaque carregado, uma das mais originais da música brasileira atual.
Primeira faixa do disco, ‘Na Lama, Na Lapa’ é um grito de liberdade, já avisa que Khrystal canta o que quer. “Fui batizado na capela onde o padre, numa noite de pecado, se encontrou com um alguém”, dispara em ‘Arranha Céu’. Se você já apertou a campainha da vizinha e correu, vai gostar de ‘Bem ou Mal’. Não é por menos que ‘Dois Tempos’ deu título ao disco: “Mato meu leão todo dia pra não ver meu canto calado morrer”.
‘O Trem’ é um dos pontos altos do segundo trabalho em estúdio da cantora. É o romantismo de quem vive debaixo de sol quente: “Comida sem farinha é o mesmo que trepar sem beijar. (...) A vida a dois é feito rapadura: é doce, mas não é mole não”. A Khrystal mais forte do disco é a de ‘Zona Norte, Zona Sul’: “De que lado mora o seu preconceito? Atravesse a ponte que eu vou lhe mostrar”.
“Já me falaram desse tal de erudito, mas meu negócio é a cultura popular”, canta em ‘Potiguaras Guaranis’, uma combinação incrível de tudo o que forma o nordeste brasileiro. O disco fecha com a única canção que não é assinada por Khrystal. ‘Compositor’, de Joyce e Paulo César Pinheiro’, é uma homenagem nada trivial a quem (sobre)vive de música.
Fugir do óbvio, não ter vergonha de mostrar o lado mais sincero de sua voz, não ter vergonha de mostrar todos os seus lados enquanto artista. Khrystal é uma cantora alegre, uma compositora brava, uma artista popular que pode fazer a crítica cair aos seus pés. Potiguar, nordestina, brasileira.


Estamos no pequeno distrito de Cazuza Ferreira, na cidade de São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul. Paisagem remota. A mistura de cores fortes da natureza parece ter sido incrementada para o cinema, ganhou casas de madeira e personagens enigmáticos. Foi esse o cenário escolhido para a gravação do vídeo que virou clipe de ‘Milonga Para Los Perros’, música do terceiro disco do Projeto CCOMA. Moradores do distrito foram convidados para encarar as lentes da câmera. Um rosto sofrido, outro melancólico, um olhar desconfiado, outro tímido. Vários seguram sua carteira de identidade. A senhora que aparece na frente das prateleiras de uma pequena venda aparenta ser a mais simpática, esboça um sorriso. Chega a vez de um rapaz com mechas loiras no cabelo e um piercing na sobrancelha. O homem de camisa amarela e avental preto (ótima combinação, por sinal) deu uma pequena pausa nos seus afazeres para também participar da gravação. Dirigido por Robinson Cabral, o clipe é encerrado com os integrantes do CCOMA, de terno preto, seguindo a pé numa estrada de barro, acenando para um fusca branco e uma motocicleta que passam ao seu lado. As imagens arrebatadoras do vídeo encaixam no som com perfeição. O resultado é emocionante.
Uma incrível experiência sonora e visual. Isso é ‘Peregrino’, disco inovador, corajoso, categórico. Entre o jazz e a música eletrônica, Roberto Scopel e Swami Sagara apresentam uma estética sonora envolvente, com referências inusitadas e multiculturais. Nas dez faixas que compõem o trabalho, os músicos fazem o ouvinte experimentar aquilo que chamam de música eletrorgânica, ou que pode ser determinada como future jazz. Não há como escapar da percussão empolgante de Sagara, do trompete e das surpresas de Scopel (como o claricano, uma espécie de clarinete feito com canos de PVC). Detalhes menores, entre o resgate do hang drum, o theremin e o berimbaixo (mix de berimbau e baixo), comprovam a originalidade do projeto, aceitável a partir do instante em que o duo consegue, com destreza, criar um estilo próprio e harmônico. Uma façanha para quem se propõe a brincar com música instrumental com tanta ousadia.
Scopel e Sagara também foram espertos na hora de fazer a lista de convidados de seu novo disco: escolheram cidadãos musicais. O trabalho foi co-produzido por Moises Matzenbacher, atualmente radicado em Londres. O vocal marcante do pernambucano Di Melo está em ‘Xangô é Rei’, enquanto Zeca Baleiro, maranhense e com ascendência síria, participa de ‘Cosmopolita’ apenas com vocalizes. João Luiz Oliveira contribui com duas faixas: ‘Milonga Para Los Perros’ e ‘Iracino y Cerenita’. Paulo Johann foi o convidado de ‘Caminho do Meio’ e já ‘Amazônica Fever’ é um featuring com Diogenes Baptisttella e Corina Piatti. Instrumento de sete cordas comum na Turquia, o baglama é tocado por Luciano Sallun em ‘Grand Bazaar’. A artista argentina Kinska assina os desenhos da capa e do encarte.
Das montanhas do sul do Brasil, um duo eletrônico num cenário rural nos convoca para uma peregrinação, para explorar novos territórios ao redor do planeta, considerar a identidade de cada povo, admirar contextos divergentes. É samba, é baião, é música caribenha, argentina, andina, africana. Combina com os encantos de Paris, com a pompa de Xangai. ‘Peregrino’ é um álbum excepcional e, em 2012, ampliou o alcance da música brasileira.
Uma incrível experiência sonora e visual. Isso é ‘Peregrino’, disco inovador, corajoso, categórico. Entre o jazz e a música eletrônica, Roberto Scopel e Swami Sagara apresentam uma estética sonora envolvente, com referências inusitadas e multiculturais. Nas dez faixas que compõem o trabalho, os músicos fazem o ouvinte experimentar aquilo que chamam de música eletrorgânica, ou que pode ser determinada como future jazz. Não há como escapar da percussão empolgante de Sagara, do trompete e das surpresas de Scopel (como o claricano, uma espécie de clarinete feito com canos de PVC). Detalhes menores, entre o resgate do hang drum, o theremin e o berimbaixo (mix de berimbau e baixo), comprovam a originalidade do projeto, aceitável a partir do instante em que o duo consegue, com destreza, criar um estilo próprio e harmônico. Uma façanha para quem se propõe a brincar com música instrumental com tanta ousadia.
Scopel e Sagara também foram espertos na hora de fazer a lista de convidados de seu novo disco: escolheram cidadãos musicais. O trabalho foi co-produzido por Moises Matzenbacher, atualmente radicado em Londres. O vocal marcante do pernambucano Di Melo está em ‘Xangô é Rei’, enquanto Zeca Baleiro, maranhense e com ascendência síria, participa de ‘Cosmopolita’ apenas com vocalizes. João Luiz Oliveira contribui com duas faixas: ‘Milonga Para Los Perros’ e ‘Iracino y Cerenita’. Paulo Johann foi o convidado de ‘Caminho do Meio’ e já ‘Amazônica Fever’ é um featuring com Diogenes Baptisttella e Corina Piatti. Instrumento de sete cordas comum na Turquia, o baglama é tocado por Luciano Sallun em ‘Grand Bazaar’. A artista argentina Kinska assina os desenhos da capa e do encarte.
Das montanhas do sul do Brasil, um duo eletrônico num cenário rural nos convoca para uma peregrinação, para explorar novos territórios ao redor do planeta, considerar a identidade de cada povo, admirar contextos divergentes. É samba, é baião, é música caribenha, argentina, andina, africana. Combina com os encantos de Paris, com a pompa de Xangai. ‘Peregrino’ é um álbum excepcional e, em 2012, ampliou o alcance da música brasileira.


Estala os dedos, uma orquestra surge. A poesia suntuosa se encaixa com perfeição em melodias geniais. Tem sensibilidade que espanta até os colegas mais apurados. De cima, singelo. Por dentro, majestoso. No melhor trabalho de uma discografia elogiada, Lucas Santtana vai na frente, abre caminho para outros artistas da música brasileira.
COTAÇÃO: 95


“Dreampop com amour”. Susana Bragatto e Zé Ruivo catam referências de seu fértil universo onírico para colocar na música do Ailaika. Retrofuturismo, livros infantis, roadtrips, anos 80, canções de ninar japonesas, conhaque com limão, sintetizadores antigos, gatos preguiçosos, suaves psicodelias, cadillacs. Mas é a paixão do casal na vida real que amarra as canções do segundo disco do projeto. ‘An Age Of Love’ é resultado da colaboração com o produtor brasileiro Apollo9 e tem um convidado inusitado: Odair José e seu romantismo inconfundível em ‘Tristinha’, mambo-canção de donzelas que choram por amor. Mauricio Pierro assina a irretocável arte do disco, com sorvete, salto alto, cowboys e muitos passarinhos. Coloque ‘Blue Maggot’ para dar choque na pista de dança e ouça ‘Lick My Body’ enquanto toma banho. Um trabalho divertido, bem humorado, irresistível. Para deixar tocar o dia inteiro, sem enjoar. Duvida? Vai lá.


A arte de Rafael Grampá combina com a música de Gui Amabis. O quadrinista assina os desenhos da capa e do encarte de ‘Trabalhos Carnívoros’ e ainda divide com Julio Andrade a direção do clipe de ‘Pena Mais Que Perfeita’, o melhor do ano na música brasileira. São traços vorazes, ousados. São imagens perturbadoras, esplêndidas. Homem de grandes parcerias, Amabis foi rápido em apresentar seu novo trabalho - um ano após o ótimo ‘Memórias Luso Africanas’. Agora ele aparece com uma produção mais madura e coesa. Sai o tom familiar e a música soa impetuosa, como um bicho solto.


Apagão é alegria de romântico. Com bom humor, volúpia e jovialidade, a Trupe Chá de Boldo veio com um antídoto para caretice na música brasileira em 2012. O coletivo optou por letras simples, investiu nos instrumentos, em melodias prazerosas, trabalhou para colocar sua música lá em cima. ‘Nave Manha’ é irresistível. E se não voltarem a apagar as luzes da Avenida Paulista, feche os olhos.


Ele já provou, em 2007, com a Fuloresta, que toda vez que dá um passo o mundo sai do lugar. E para onde ele vai? Vai passar como um santo mudo, enfrentar assédio de tubarões, ter carinhos negados por pequeninas. Vai balançar edifícios de quarenta andares, brincar carnaval enquanto o mundo acaba, mas nunca vai aprender como faz pra rezar. Vai atirar versos, libertar touro bravo, sentir saudade do velho lar, sonhar com super poderes. Avante, Siba!
COTAÇÃO: 91


Trilha sonora para notar a sucessão dos anos, dos dias, das horas. Música para perder a noção do presente, do que passou e do que está por vir. Com o tempo como tema, Marcelo Fruet e seus excelentes instrumentistas apresentaram um trabalho pungente em 2012. Quando o tempo em questão não é o cronológico, quando não deve ser medido pela quantidade, e sim pela qualidade, entra a expressão grega ‘Aión’, que dá título ao disco. O rock prevalece na maioria das faixas, mas nos deparamos com porções de groove, baladas românticas e até bossa. A poesia valiosa de Fruet encontra os arranjos sofisticados d’Os Cozinheiros e o resultado é fantástico.
COTAÇÃO: 91


Pouco tempo depois de nascer na música, Tulipa Ruiz já é um dos nomes mais fortes de sua geração. A cantora conseguiu administrar bem as altas expectativas e apresentou um ótimo disco em 2012. Mesmo sem a atmosfera apurada de ‘Efêmera’ (segundo lugar na lista dos 100 melhores álbuns da música brasileira em 2010), esse ‘Tudo Tanto’ conta com músicas arrasadoras, perfeitas para evidenciar os atributos da cantora e confirmá-la como uma das vozes mais marcantes que ouvimos nos últimos tempos por aqui. ‘Quando Eu Achar’, por exemplo, não seria um décimo do que é saindo de outra garganta. À vontade com seus convidados, Tulipa mostra o Lulu Santos que queremos ouvir em ‘Dois Cafés’ e cria um clássico com Criolo: ‘Víbora’. Disco que surpreende e faz com que as expectativas para o próximo trabalho sejam ainda maiores. Mas ela não tem medo disso.


Não há quem se atreva a dizer a qual gênero pertence a música feita por BNegão & Os Seletores de Frequência. A mistura aberta do grupo está ainda mais intensa nesse disco, um dos lançamentos mais aguardados do ano. ‘Sintoniza Lá’ fez valer cada ano de espera. Tem instrumentos poderosos, verborragia e faz o ouvinte suar.

“Poxa, o som desses caras é muito bom. De que país eles são?” Compartilhe ‘House of Tolerance’ com um amigo desprevenido e as chances de receber este feedback são altas. O primeiro disco da banda conquista logo na primeira audição, mas cresce de forma impressionante. Mesmo quem está acostumado com os bilhões de lançamentos internacionais do mesmo gênero se surpreende com a beleza das dez faixas que compõem o debut. Arranjos moderados, uma exposição vocal ideal e os sentimentos certos distribuídos do início ao fim do disco. Com influências corretas e bons propósitos, a Cambriana se mostra uma banda com grande potencial. Mas isso de nada valeria se o resultado de seu primeiro trabalho em estúdio não fosse positivo. Ok. Expectativas superadas, vamos ao que interessa... Aperte o play e perceba a evolução do som.

1 - “Fitas-cassete, uma ergométrica, uns restos de rabada”
2 - “Um amasso, um beijaço. Meu olhar de palhaço, seu orgulho tão sério”
3 - “O lugar mais frio do Rio é o meu quarto”
4 - “Ter o olho no olho do jaguar. Virar jaguar”
5 - “O mar nos olhos”
6 - “Os comunistas guardavam sonhos”
7 - “Vá numa sessão de descarrego ou num médico”
8 - “Ásperos passos, pássaros sem fio”
9 - “O que fiz pra merecer essa paz que o sexo traz?”
10 - “Tudo mega bom, giga bom, tera bom”
11 - “Eu amo muito você”
2 - “Um amasso, um beijaço. Meu olhar de palhaço, seu orgulho tão sério”
3 - “O lugar mais frio do Rio é o meu quarto”
4 - “Ter o olho no olho do jaguar. Virar jaguar”
5 - “O mar nos olhos”
6 - “Os comunistas guardavam sonhos”
7 - “Vá numa sessão de descarrego ou num médico”
8 - “Ásperos passos, pássaros sem fio”
9 - “O que fiz pra merecer essa paz que o sexo traz?”
10 - “Tudo mega bom, giga bom, tera bom”
11 - “Eu amo muito você”

Artista mutante, Curumin é um dos nomes mais influentes nestes últimos dez anos de música brasileira. Seus dois primeiros discos causaram pequenas e discretas revoluções na época em que foram lançados (2005 e 2008). Nos anos seguintes a cada lançamento, era possível perceber como vários outros artistas nacionais se inspiravam nele, seja na capa, nos elementos eletrônicos ou na maneira de atrair o público. O mesmo tende a acontecer nos próximos anos. Em estilo, ‘Arrocha’ é diferente de seus antecessores, mas tem questões em comum: é incompleto e irregular. Talvez a ordem das faixas, as vinhetas, ou sei lá o quê que não contente o ouvinte. Mas esse é o jeito de Curumin. Ele gosta de costurar seus tesouros (‘Selvage’, ‘Passarinho’, ‘Vestido de Prata’), de entregar aos pouquinhos, de revolucionar “na dele”.
COTAÇÃO: 89

Não é qualquer artista que se arrisca nas composições de Itamar Assumpção. Visitar sua obra (e se sair bem) não é uma tarefa fácil. Mas Zélia Duncan leva uma grande vantagem nessa aventura. Durante a principal fase de sua carreira, a cantora teve uma relação musical muito próxima com o Nego Dito. Com a impagável experiência, bom senso, leveza e inteligência, a cantora salva ‘Tudo Esclarecido’ de ser um tributo banal. O disco é uma das mais gratas surpresas do ano, com versões agradabilíssimas de composições já conhecidas e meia dúzia de inéditas do baú do compositor. Se você não conhece a Zélia de Itamar, não deixe de experimentar esse trabalho.


Como fazer música erudita se suas maiores influências estão na cultura pop das últimas duas décadas? Como fugir do mundo empoeirado, onde tantos se perdem pela passividade, e não deixar de lado suas paixões, sua formação? É preciso inventar, mesmo que eles não aceitem. É preciso ousar e não ter medo de se expressar, mesmo que eles critiquem. Quando Vitor Araújo vai além da técnica, sobrevive ao rótulo de prodígio e põe um sentimento incomum num trabalho autoral, os conservadores berram. Mas a música do jovem atrai, conquista um público novo, influencia outros artistas da mesma geração. Com o ambiente escuro do lado A e a enxurrada de referências do lado B, este disco tem peso e importância para a música erudita, pelo talento fora do comum do artista, e para a popular, que ganha um terreno novo.

O cara sofre, respira, a ideia vem, faz uma gravação no celular. Pega o violão e cria um dos discos mais intimistas do ano. ‘Agora Eu Sou o Silêncio’ é um chá da melancolia do catarinense Matheus Barsotti. O termo sânscrito ‘tratak’ define a Yoga dos olhos, uma técnica que envolve concentração em um único ponto. Tratak de Barsotti é música que merece ser descoberta, desvendada. Que pede lágrimas, mas conquista o ouvinte sem agredi-lo.

Rodrigo Campos é um cara de boas companhias. Com um time de instrumentistas de fazer inveja (Thiago França, M. Takara, Maurício Fleury, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral) e a direção musical de Romulo Fróes, ele quis compartilhar conosco uma terra que, até então, era só sua. Um mundo de altos e baixos, de alegrias, tristezas, estranhezas, de deslumbre. Criolo, Gui Amabis, Juçara Marçal e Luisa Maita são outros nomes que o ajudaram nessa empreitada. ‘Bahia Fantástica’ é, de longe, o trabalho mais importante do currículo do artista.
COTAÇÃO: 87


No auge do desassossego, Thiago Pethit brilha enquanto derruba estrelas em seu segundo trabalho em estúdio. De cara nova e sem precisar de aprovação, o artista segue seu próprio caminho, inventa com mais liberdade e conta com a ajuda de amigos de peso para fazer de ‘Estrela Decadente’ um pequeno grande disco. Além da Kassin na produção, o trabalho tem as participações charmosas de Mallu e Cida Moreira. Nas letras que assina, Pethit parece escrever para guardar e ler/cantar daqui a um ano. Está torto, cru, no ponto.















